Dos últimos 7 anos

Sempre achei engraçado como certos cheiros nos trazem à tona certas lembranças.
Descobri que isso acontece com alguns ventos também.

Olhos fechados. Altura. Surpreendentemente, um considerável silêncio para depois das seis da tarde.
Inspiração. Vento no rosto.

O mesmo dos meus quinzes anos. Aquele das madrugadas na varanda. Aquele depois do meu seriado preferido que sempre me fez questionar muito e, principalmente, que sempre deixou eu extravasar o que eu realmente sou.

Sou?
Realmente?

As mesmas músicas. Uma pausa e um recomeço. Cabeça longe. Livre. Chega onde às vezes evito chegar.

Por quê?

Certas coisas não mudaram. Os vestidos. A vontade súbita que vem de estar sentada na areia, sozinha, com o mar. Vontade de permanecer assim, sem ninguém chegar. Me deixe adormecer...

"Maybe some people just get lost". Nunca entendi o porquê.
Agora sei o que é às vezes a gente simplesmente se perder.

De pouco tempo para cá estou descobrindo muito sobre mim mesma. Talvez até demais. Talvez eu não queira saber tanto assim.

Deixar as coisas sem uma explicação, sem se aprofundar.
Apenas foi. Apenas fui.

Talvez eu não quisesse saber tanto sobre mim mesma. Atrelo, sem querer, à necessidade, ou melhor, obrigatoriedade de mudança.
Em tudo o que ficou transparente.

Me perdi.

Nas tentativas, inúmeras, de acertar, justapostas à frustração de não conseguir. Sem efeito.

Vento no rosto e olhos marejados.

Vontade de parar o mundo nesse instante. Por um tempo. Até conseguir descobrir o que eu sou de verdade.

Até conseguir descobrir o que eu quero ser de verdade.

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